fbpx

Torcendo pro LEC na Terra da Rainha

Share this...

Por Rafael Borges ( nosso correspondente Internacional)

Olá Tubanautas!

Primeiramente gostaria de agradecer aos Tubanautas pelo convite de ser colunista e a oportunidade de escrever sobre essa paixão chamada Londrina Esporte Clube morando no país que colonizou Londrina, a Inglaterra.

Nessa coluna abordarei sobre minhas memórias e contarei várias experiências e ideias do que acontece por aqui para vocês sentirem como um país pode ser transformado através de uma torcida apaixonada que escrevem uma história junto com os clubes, não importa a divisão, só pra constar, aqui temos 10 divisões!

Tenho me empolgado muito com a trajetória recente do Londrina. Não me considero fanático, porque todo fanatismo é cego; mas apaixonado, visto que este propaga positividade, demonstra esperança e simplesmente faz vistas grossas a qualquer coisa que atente contra esse sentimento tão verdadeiro.

Cada um de nós temos nossa própria história como torcedores do LEC, e olhando para essa história nós podemos constatar muitas coisas que justificam e enaltecem todo esse nosso apoio, pois no Brasil, e ainda mais em Londrina, torcer para um time que não seja do conhecimento raso de fãs de um futebol moderno cada vez mais artificial, é algo tido como bobagem, bairrismo tolo ou masoquismo; aquele gostinho de sempre torcer para o mais fraco.

Um pé-vermelho que tiver acesso a um pouco mais de informação vai se dar conta logo de que a questão não é nem um pouco por aí. No entanto, discorrer sobre esse tópico renderia muito pano para manga, e o meu principal objetivo nesse texto é tentar passar uma base de como é ser torcedor do Tubarão na terra da rainha!

Morando em Londres há três anos e levando uma típica vida de imigrante, posso dizer que ter o Londrina como meu único time é muito tranquilo e até mesmo interessante. O estrangeiro pouco sabe sobre o futebol brasileiro: dentre uns dez europeus, talvez dois já tenham ouvido falar de algum time do eixo. Ao falar do LEC para eles, dá-se a impressão de se estar falando de uma equipe menos conhecida que disputa a Série A. Os gringos respiram o futebol deles somente, e pouco se importam com o universo do país que é o maior celeiro de seus craques. E nem é tanto por arrogância ou indiferença: olhar para o clube local é como olhar para uma extensão de suas casas. É parte da vida normal de quem cresce aqui.

Sempre quando o clima ajuda, resolvo dar uma volta no parque vestindo a camisa mais bonita do meu guarda-roupa. No metrô, ou na rua não tem quem não olhe! A camisa comemorativa dos 30 anos pela Taça de Prata realmente chama a atenção, e para a surpresa geral ninguém jamais fez qualquer menção a uma semelhança com o uniforme da seleção argentina. Fica sempre aquela coisa: perguntam de onde eu sou, se o meu clube é o atual campeão nacional… Um inglês uma vez me disse que o meu uniforme se parecia com uma água marinha. Um outro, torcedor do Arsenal, declarou que o meu azul deve ser muito melhor do que o azul que eles (londrinos) têm, fazendo referência ao Chelsea. Sou obrigado a concordar com ele.

Os grandes clubes daqui têm esquadras poderosas; no entanto o melhor deles não está no campo, mas fora. Sabem vender o peixe, ou o seu campeonato, melhor do que muitos nesse mundo do futebol. A diferença é que sempre nos preocupamos demais com as quatro linhas, e muito pouco fora dela. Nosso Celsinho talvez seja a nossa primeira tentativa de trazer à tona um ídolo que se fez como tal dentro das nossas dependências. Muitos saberiam responder quem foram Cruyff e Beckenbauer, mas provavelmente não saberiam capazes de precisar quem foi Carlos Alberto Garcia ou Gauchinho.

A maior das três lojas do Chelsea FC, dentro do Estádio.
A maior das três lojas do Chelsea FC, dentro do Estádio.

Não escondo que tive meus tempos de misto, afinal de contas todo brasileiro quer constituir melhor sua personalidade ao torcer para um time que seja o mais forte na mainstream: quer estar por cima na hora de zoar o amigo, quer sentir que sua equipe se impõe até mesmo às melhores do planeta. E por que não torcer para os melhores do mundo, mesmo que eles estejam a um oceano de distância? Moda é para ser seguida. A lógica do brasileiro é essa. E é ridícula; subalterna!

Das vezes em que meu pai, santista, me levava ao Café para ver o Tubarão jogar, e depois das três finais de paranaense seguidas, em meados da década de 90, o nosso alviceleste foi decaindo, mas a sensação de ter ido ao estádio por algumas vezes foi muito marcante e jamais me deixou.

Confrontei esse fato particular com a mesquinhez do jeito descolado de se torcer no Brasil, e ao transpor isso tudo sob a ótica européia não restou outra alternativa ao meu bom senso e coerência declarar que o Londrina deveria sim, ser meu único time do coração. E desde então, o LEC tem sido meu Barcelona, meu Real Madrid e meu Orlando City. Ser original não tem preço e é algo muito apreciado em um lugar onde o povo preza, antes de tudo, sua própria identidade. Por isso posso dizer, com toda a certeza do mundo, que o Reino Unido me fez muito bem!

Até a próxima !

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *