No chamado “futebol moderno”, o jogador vive de uma boa temporada e se
transfere para um clube de maior expressão, isso é provado a cada campeonato
que começa ou termina. O atleta Sílvio Henderson Santos Freitas, de 30 anos,
foi na contramão da maioria, chegando aos 200 jogos com a camisa do Londrina
Esporte Clube.

Foto: Jefferson Bachega – Reporte

O hoje zagueiro, teve uma curta passagem pelo Londrina em 2009 e voltou em
2011 para cravar seu nome na história do clube. Está disputando a 9ª
temporada seguida pelo Tubarão, viveu todos os grandes momentos do clube
nos últimos anos e foi um dos escolhidos para ser um dos “tutores” do elenco
formado para o primeiro semestre de 2019.

Sílvio fez o gol que valeu o primeiro acesso do clube no processo de
reestruturação que o Londrina passou a partir de 2011. Naquela Divisão de
Acesso, foi peça fundamental no elenco de Cláudio Tencati, atuava como volante
e no Estádio Érich George, em Rolândia, fez o tento que trouxe o Alviceleste
novamente para a elite do futebol paranaense.

Início dessa história

“Em 2009, sofri muito justamente com esse problema de desiquilíbrio
[muscular], ali começou a minha história e estava pensando sobre isso, em 2009
fiz parte de um grupo que fez rifa de uma TV para comprar passagem de avião
para jogar contra o São José (RS), na época pela Série D e hoje estou jogando
um jogo que vale mais de R$ 1 milhão. O clube está em outro patamar, a SM
conseguiu pegar um clube que estava realmente desacreditado, estabeleceu um
planejamento para ele e cumpriu à risca muito antes do planejado, sou feliz por
isso, sei que faço parte dessa história de uma maneira muito efetiva”, foi a
declaração do jogador após receber uma camisa simbólica sobre os 200 jogos.

Devido a lesões, Sílvio disputou apenas três jogos por aquele grupo de 2009.
Após a eliminação para a Chapecoense na 3ª fase da competição, voltou para o
Iraty e seguiu seu caminho. No final de 2010, a SM Sports, do gestor Sérgio
Malucelli assumiu a gestão do futebol do Londrina e devido a sua proximidade
com o clube dos campos gerais. Pouco tempo depois, Sílvio voltou para o clube,
em outra realidade e esperança.

Ao final da Divisão de Acesso, o atleta foi emprestado para o Paraná Clube no
segundo semestre. Voltou ao Tubarão em 2012, na elite do futebol do Estado e
continuou como titular daquela equipe. O Londrina oscilou demais e não
conseguiu atingir as metas para a temporada. Novamente, Sílvio foi emprestado
no segundo semestre, para Bragantino e depois, Ipatinga.

O 2013 do jogador começou diferente, com a chegada de Diogo Roque, Sílvio
perdeu espaço na equipe, mas acabava sendo um dos jogadores de confiança de
Tencati, como um 12º jogador da equipe. A partir desse ano, Sílvio mostrou ser
o “Severino” do Londrina, aquele personagem interpretado por Paulo Silvino,
que era o quebra galho para todas as funções. Sem o lateral-esquerdo Wendell
no último jogo do 1º turno do Campeonato Paranaense, Sílvio foi improvisado
na função para enfrentar o Coritiba, no Estádio do Café com mais de 30 mil
pessoas. Pouco tempo depois, na Série D, contra o Juventude, nas oitavas de
final, na partida de volta, Sílvio foi o escolhido para assumir a lateral-direita,
que havia ficado sem Maicon, afastado por indisciplina.

Em 2014, na 4ª temporada com a camisa do Tubarão, Sílvio começou a atuar
como zagueiro, sendo o capitão daquela equipe que esperava mudar de patamar.
Após o time oscilar demais, Sílvio acabou perdendo espaço para Gilvan, Douglas
Grolli e por fim, a chegada de Dirceu, mas Sílvio sempre esteve presente nas
partidas decisivas, inclusive, foi um dos jogadores que cobraram e marcaram,
nas penalidades na final contra o Maringá FC. Mais uma vez, Sílvio escrevia seu
nome na história do clube, agora com o título estadual.

Com saídas após o término do Campeonato Paranaense, Sílvio voltou a defesa
para formar dupla com Dirceu, ali fizeram um paredão Alviceleste, uma das
melhores defesas daquela Série D e que foi coroado com o acesso do Londrina
para a Série C do Brasileiro. O Londrina conseguia voltar a ter um calendário
fixo.

No jogo decisivo contra a Anapolina, no Estádio do Café, Sílvio não atuou, por
estar suspenso, mas ao apito final, o jogador caiu aos prantos em um abraço
com o técnico Cláudio Tencati. “Desde 2011, você é vitorioso Sílvio! Obrigado,
desde 2011 juntos! ”, foram as palavras de Cláudio Tencati a Sílvio em um
momento emocionante para torcida e atletas do Londrina.

Está parceria ainda durou por mais três temporadas. Em 2015, Sílvio assumiu
de vez a titularidade na defesa Alviceleste, fez parcerias com Dirceu, durante o
Paranaense, Copa do Brasil e Série C, com Matheus, após a saída de Dirceu e
finalizou com Luizão, na mesma competição. Mais um acesso para a carreira do
sergipano de Aracaju.

Se manteve na equipe, mas a partir de 2016 começou a sofrer com várias lesões,
que tiraram de Sílvio a sequência e as partidas. Passou mais de um ano
lesionado, voltando apenas em 2017, mas sofrendo com outras lesões. Fez parte
do elenco que se consagrou campeão da Copa da Primeira Liga, apesar de não
ter atuado em nenhuma partida.

Em 2018, começou como titular da defesa do Tubarão, mas novamente uma
lesão o tirou de vários jogos, voltou a ser importante, quando voltou as origens,
atuando de volante e fez o gol que garantiu a vitória do Londrina contra o
Coritiba, pela Série B, porém, não conseguiu manter uma regularidade
novamente pelas lesões.

No final de 2018, se especulava muito que seria o fim da era de Sílvio no
Londrina, mas a diretoria confiou no jogador para fazer parte de um projeto,
onde ele seria um dos atletas experientes para trabalhar junto com vários
garotos oriundos das categorias de base do clube e o jogador aceitou o desafio.
Sem sofrer com lesões, apesar de muita desconfiança, Sílvio liderou o sistema
defensivo do Londrina em 2019, atuando em quase todas as partidas e
novamente escrevendo seu nome na história do clube.

Além de completar 200 jogos na última quarta-feira (3), o jogador ajudou o
clube a fazer história na Copa do Brasil, chegando pela primeira vez na quarta
fase da competição, algo que o Tubarão nunca havia conseguido. Ao longo desse
grande período, Sílvio marcou nove gols, esteve em 98 vitórias, 57 empates e 45
derrotas.

Apesar de ter torcedores contrários a continuidade de Sílvio no Londrina, uma
coisa tem que ser admitida, o jogador fez e pode fazer ainda mais histórias pelo
clube e por tudo que já conquistou, pode ser considerado um ídolo do clube.
Sempre demonstrou determinação e raça vestindo o manto Alviceleste.

Por, Equipe Tubanautas
Jefferson Bachega
Reporte e Colunista