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A Década Perdida – Parte 1

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Participação Especial do Fã Adão Fernandes

Meu cérebro simplesmente bloqueou todas as memórias da década de 2000. Chega a ser espantoso isso. Eu sou apaixonado pelo Tubarão e por futebol, me recordo de lances, por exemplo, do Campeonato paranaense de 1981, como se eles tivessem acontecido ontem (como o gol do Paulinho na final contra o Grêmio de Maringá, naquele, 29 de novembro de 1981), mas a década de 2000 é um verdadeiro vácuo na minha mente.

Provavelmente, isso ocorreu por causa das dolorosas quedas para segunda divisão em 1998 e em 2009, mas não tenho certeza disso. Ao menos, até agora, enquanto escrevo estas linhas. E, talvez, no final desta história eu entenda isso um pouco melhor – pois eu evito, a todo custo, pensar na relação que eu tenho com a década de 2000. O pouco que me lembro dela é nublado. Nublado e assustador, sem romantismo algum, como se fosse um pesadelo que tive e do qual eu me lembro apenas de alguns trechos.

Tenho uma vaga lembrança do jogo contra o Cruzeiro no estádio do Café pela Copa do Brasil em 2002, na verdade eu me lembro apenas do Gol do atacante Johnson, quando, na comemoração ele levantou a camisa e por baixo tinha outra camisa com a frase: “Tubarão angolano”. E me lembro também do pênalti cobrado por Edilson (capetinha) e defendido pelo goleiro Serginho, e todo o estádio gritou seu nome (e eu gritei junto).

Lembro do gol do Nem, contra o Irati em 2009. O gol que “NEM” Pelé fez.

E da final da inexpressiva Copa Paraná de 2008 contra o Cianorte, eu me lembro de termos vencido nos pênaltis – mas não me lembro do jogo.

Fora isso, mais nada. Há um espaço em branco no meu cérebro, com a placa “local reservado para a década de 2000”. E só.

Após digitar esta última frase, fiquei parado alguns minutos, olhando para a tela, tentando me lembrar de qualquer coisa da década de 2000, além do que eu disse. Nada. É inútil. Não me vem nada à cabeça. Nenhum gol, nenhum lance, de nenhum jogo. Chega a ser irritante. Eu sei a campanha completa do Campeonato paranaense de 1962, acontecida seis anos antes de eu nascer, mas não consigo ver “uma” imagem da década de 2000.

A respeito da final da Copa Paraná de 2008, eu me lembro que estava “assistindo” o jogo em casa pelo rádio. E não faço idéia do motivo, mas me recusei a ouvir os pênaltis na sala. Fui para o quintal e fiquei do lado de fora da casa, ouvindo pela janela, ou semi-ouvindo, pois eu ouvia apenas os pênaltis cobrados pelo Cianorte, me afastando da janela e tapando os ouvidos com os dedos, nas cobranças do Tubarão, rezando e esperando ansiosamente pela reação da minha esposa.

Eu devo ter ficado muito nervoso – como qualquer pessoa ficaria, afinal, era uma final de Campeonato – quando o título se confirmou, eu me recordo de sair pulando e gritando, em direção à rua, mas mesmo estas memórias felizes, são meio nubladas, como se tivessem acontecido muitos anos antes do que realmente ocorreram…(continua…)

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