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A Raiz da Dificuldade…

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Por Rafael Borges (nosso correspondente internacional – direto de Londres)

Mundo afora vemos o que se considera a evolução do futebol moderno, que cada vez mais mexe com o imaginário do público e estimula o deslumbramento com as equipes que dominam o cenário mundial. É um processo que tem tomado corpo na Europa, com o ressurgimento de clubes tradicionais que andavam no esquecimento; e também no Brasil, onde os clubes gringos passam a mexer mais e mais com a cabeça da nova geração de torcedores, convertendo-se em concorrência de peso às grandes agremiações nacionais por torcedores e principalmente por mercado consumidor.

Isso significa que as potências do futebol brasileiro, ainda engatinhando na exploração comercial de suas marcas, passam a ter concorrência desleal e massiva dos maiores do velho continente. É um processo que desde o advento do rádio e da televisão fez as equipes dos grandes centros fortes pelo país inteiro; e que pôs os interioranos na contramão. Consideravelmente fortes até a década de 80, são organizações esportivas tradicionais que foram perdendo espaço para os grandes das capitais de estados mais importantes, e que hoje se vêem arrastando financeiramente, disputado divisões inferiores de torneios nacionais e até mesmo estaduais. Agora é a vez de os europeus fazerem o mesmo, de fora para dentro.

Enquanto tal fenômeno toma lugar, chega-se a algumas matizes de torcedores pelo Brasil, que nos ajudam a entender tais mudanças:

1. Torcedor comum: seja ele de qualquer parte do país, ele normalmente torce para uma equipe dos três maiores redutos futebolísticos tupiniquins: SP, RJ e RS e não demonstra preferências adicionais. Brasileirão e, quando se pode, Libertadores na veia! Tradição midiática e familiar da qual é difícil se esgueirar.

1.2 Misto de leve: Grupo original dos interiores e capitais menores, esses são praticamente uma cópia do primeiro modelo citado; mas que ainda mantêm certa simpatia pela equipe local; acompanha, vai ao estádio ocasionalmente e em alguns casos até têm uma camisa dentro do guarda-roupa. Contudo, ainda seriam muito resistentes à possibilidade de abdicar da “patroa oficial” para assumir um relacionamento sério com a “amante” e apreciar seus valores. Há alguns que têm até avançado nesse quesito, mas que no entanto sentem a influência da tradição lhe atentar o coração. Mesmo que a passos lentos, cada qual no seu lugar, e assim somos felizes!

1.3 Torcedor autêntico: Não consideremos nesse círculo os fãs cariocas, paulistanos, porto-alegrenses ou belo-horizontinos, posto que é quase inevitável que quem nasce em uma dessas cidades ou em seus entornos vai adotar uma de suas equipes. Trata-se aqui de um grupo muito original. Típicos do interior e de capitais menos fortes no futebol, são torcedores convictos, e de muita personalidade; afinal de contas não é fácil torcer para um time menor e ainda por cima ter que lidar com piadas e desdém de torcedores comuns, que mal fazem ideia do caminho que seus times dominantes tiveram que trilhar para chegarem aonde estão. O conceito de torcer se diferencia; não se limita em apoiar-se o mais forte para se afirmar em um círculo social, mas sim expande-se a ideia para o abandono da televisão e o advento da presença física. Buscam fazer a grandeza do lado para o qual torcem ao invés de viverem a doce ilusão do que parece, mas que não é seu. Grandes torcedores, a centenas de quilômetros de distância, ajudando seus timaços assando uma carne no quintal de casa, ou tomando aquela na mesa do bar. Emoção em HD!

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1.4 Torcedores “europeus”
Trata-se da mais recente leva de “supporters”. Some a incapacidade de um menino atual conceber o mais verdadeiro sentido de torcida à influência midiática pró-futebol moderno, que vomita absolutamente tudo sobre o futebol europeu, ávido pelo mercado mundial. De jovens internacionalmente mistos pela década de 2000 até essa, é possível ver garotos de todas as partes do país adotando potências da Champions League como suas únicas paixões futebolísticas. Pouco importa se um dia eles vão pôr seus pés para fora do Brasil, e não se trata de moda. Essa tendência deslumbrante e alientante veio para ficar e não ameaça o engajamento do público mirim com clubes como Guarani, Juventude e Londrina; mas também se constituem em grande perigo aos planos de consolidação das forças maiores, tais como Flamengo, Corinthians, Internacional e por aí vai. Vale aquela de que a grama do vizinho será sempre mais verde; e que se esse vizinho for europeu, melhor ainda! Hoje em dia, quanto mais “cool”, melhor o torcedor. Qualquer envolvimento e bairrismo ficaram no passado; e se esses se sobressaírem, certamente sofrerão uma repressão tipicamente zoeira dos “descolados”.

Em qual desses perfis você, que está lendo este artigo, se encaixa? Fica a mensagem, fica a reflexão. Recordando que não há problema algum em admirar e conhecer o quanto for possível a respeito do futebol mundial, mas quando esse sentimento estranho se excede e vira “paixão”, temos um quadro semelhante a de uma declaração de amor no melhor estilo “novela mexicana” ao som de música brega a uma amizade virtual gringa. Tocante!

Um futebol forte se faz com torcida, e é de baixo para cima. Mais lindo do que ver o apoio local é dar-se conta da firmeza de cada um que optou por aquele que realmente necessita do nosso apoio, e não somente do nosso dinheiro. Como alguém que já trabalhou para um dos grandes do futebol europeu, digo que o apoio de vocês não conta em nada mais para eles do que puxa-saquismo, admiração de capacho. O LEC e outros grandes regionais, que se encontram adormecidos, estão esperando!

E vocês, estão esperando o que?

Londrina Esporte Clube, paixão que vivemos de perto!

Tubanauta Rodrigo Paiva no jogo contra o Santos, fazendo seu protesto!
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